ESTIAGEM I: Seca no Paraná atinge a soja precoce
Quebra - "Quem iria esperar que fosse dar 30 dias de estiagem, uma chuva e mais 30 dias de estiagem. Aí quebrou toda a agricultura do Paraná", disse seu Jorge. O seu Jorge plantou a soja precoce em toda fazenda. Foram 300 hectares. Por isso está colhendo tão cedo. Na mesma terra vai semear o milho safrinha. Se ele perdeu na produtividade, ao menos em um ponto o produtor sai ganhando. No oeste do Paraná, no intervalo de apenas um mês cada saca passou a valer R$ 10,00 a mais. Hoje o agricultor que vende soja recebe R$ 50,00 a saca. O problema é encontrar produtor que aceite fechar negócio.
Mais castigadas - O gerente da cerealista, Valmir Adamante, disse que exportaria muito mais se tivesse produto para entregar. "Tentamos comprar, ligamos para o produtor e conversamos. Mas ele está segurando o produto porque acha que o preço vai melhorar". A seca também castigou os produtores da região de Maringá, norte do Paraná. Agora os agricultores estão preocupados é com a safra de inverno. Só colhendo para saber o real prejuízo causado pela estiagem. As primeiras lavouras colhidas são as mais castigadas. A agricultora Nair Gesualdo, do município de Floresta, esperava uma produção de mais de cem toneladas de soja nos 35 hectares que plantou. Mas não vai colher nem 30 toneladas. "Infelizmente, não veio a chuva. O plantio foi feito. Foi feito tudo necessário, mas não vamos ter uma boa colheita. É um resultado muito ruim para a nossa lavoura", avaliou a dona Nair.
Antecipando o plantio - O jeito é não deixar a terra parada. Sai a colheitadeira e entra a semeadeira. No Paraná, a safra de inverno só deveria ser plantada na segunda quinzena de fevereiro. Mas muitos agricultores estão antecipando o plantio. É uma tentativa de evitar futuros problemas com o clima. A intenção é escapar das geadas que ocorrem geralmente no mês de junho. Esperançoso, o agricultor Eduardo Munhoz caprichou nos cuidados. "Adubação alta, com sementes de alta qualidade e de alta tecnologia, para poder extrair o máximo de produtividade para também, com isso, reparar os prejuízos da safra de verão", justificou. Ao agricultor só resta agora, mais uma vez, contar com a ajuda do céu. "A parte da gente a gente está fazendo. Só esperar que São Pedro faça a parte dele", disse o agricultor Reginaldo da Silva.Cem técnicos da Emater do Paraná estão no campo para avaliar as perdas nas lavouras. (Globo Rural)