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Cooperativismo deve estar atento às oportunidades do mercado de carbono

As consequências das mudanças climáticas em várias partes do mundo têm fomentado as discussões sobre regulação do mercado de carbono e são tema de evento promovido pelo Sistema Ocepar. 

As consequências das mudanças climáticas em várias partes do mundo têm fomentado as discussões sobre regulação do mercado de carbono. Com o objetivo de dar transparência ao tema e apresentar oportunidades às lideranças cooperativistas do Paraná, o Sistema Ocepar promoveu o evento Imersão em Mercado de Crédito e Carbono, realizado nesta terça-feira (22/10), em Curitiba. O encontro contou com a presença de executivos e profissionais das cooperativas Coamo, Cocamar, Castrolanda, Witmarsum, Agrária, Sicredi, Integrada, Frimesa, Copacol, Capal, C.Vale, Bom Jesus, Copagril, Cooperacom, além de representantes da Secretaria da Agricultura e Abastecimento (Seab) e da Casa Civil.

O superintendente da Ocepar, Robson Mafioletti, deu boas-vindas aos presentes e destacou a importância do tema para os negócios do cooperativismo. “Precisamos avançar, mas queremos fazer isso de forma bem técnica, com visão de futuro. O Paraná é um estado que está em destaque, tem a 4ª economia do Brasil, com muitos investimentos, já sendo considerado o estado mais sustentável do país. Estamos conversando com cooperativas para trabalhar num programa de certificação para reconhecer e valorizar os esforços dos cooperados.”

O evento teve a participação de representantes da Organização do Cooperativas Brasileiras (OCB). O coordenador de Meio Ambiente da OCB, Alex Macedo, comentou a importância de sensibilizar as cooperativas sobre o assunto. “A discussão de vocês casa muito com a nossa. Temos um programa próprio, chamado ‘ESG Coop’, e que conta com várias cooperativas do Paraná. O mercado de carbono parece muito distante, mas a gente precisa conhecer as nossas emissões para saber se temos possibilidade ou não de gerar crédito. Logo mais, o mercado estará cobrando que o produto vendido esteja colaborando com descarbonização. No ano que vem, o Brasil vai sediar a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, chamada de COP30. O que cooperativismo vai levar para a COP30? Sem conhecer nossas fontes de emissões, a gente não consegue assumir esses compromissos”, provocou.

Especialistas em Mercado do Carbono

A primeira fala foi do engenheiro agrônomo, presidente da Câmara do AgroCarbono do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e presidente do Conselho de Inovação da Ccarbon (USP), Eduardo Bastos. O profissional afirmou que aqueles que ficarem de fora deste mercado irão perder oportunidades. “Tem dinheiro na mesa, literalmente bilhões de reais para esse foco. Já é uma demanda de mercado e será cada vez mais uma cobrança”, analisou.

O engenheiro agrônomo observou que as questões climáticas não podem ser deixadas de lado e que os produtores precisam se adaptar, especialmente porque o mundo vai precisar de mais alimento. “Esses desastres naturais vão ficar cada vez mais frequentes. Nós somos uma das primeiras gerações impactadas por isso e talvez a última que tenha chance de mudar. Um dos principais temas hoje é a adaptação. O Brasil é uma potência alimentar, reconhecido no mundo inteiro. O mundo precisa de mais alimento. O Brasil tem área para isso, mas como fazer a recuperação do solo e de maneira econômica? A agenda do carbono vai ajudar. Não é mais sonho, há leilão que vai acontecer ainda este ano, com repasse de R$ de 7 bi para produtores”, informou.

O gestor de Agronegócios, Secretário Executivo do Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul e membro do Comitê de Sustentabilidade do Rehagro, Arthur Falcette, avalia como essencial trabalhar com a temática no cenário de aumento de produção. “É um tema muito importante, muito atual e eu acho que é uma das discussões que permite a gente fazer essa integração entre as agendas de produção e meio ambiente, de como o setor produtivo vai ajudar o mundo, não só no desafio de alimentar a população crescente, mas também de descarbonizar a econômica, de sequestrar carbono e ajudar nos desafios climáticos que a gente está vendo”, observou.

O secretário executivo do Meio Ambiente afirma que eventos como o promovido pelo Sistema Ocepar são de extrema importância para esclarecer detalhes de mercado que ainda são complexos para o setor produtivo. “É um tema superespecializado e, por isso, é importante que a gente discuta, que tenha essa conversa qualificada para aprofundar cada vez mais. Alguns conceitos podem parecer óbvios, mas têm uma lógica complexa por trás. A gente tem que ter a capacidade de entender esses conceitos e colocá-los em prática para benefício do produtor rural ao longo do tempo”, complementou.

O evento é realizado de forma presencial, no Hotel NH Curitiba The Five, em Curitiba, das 8h às 18h.

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